domingo, 19 de abril de 2009

OBTUSO


Pelos ângulos sombrios dessa cerne

Tateando, percorro cada canto.

Com esmero de criança adulta

Planto flores de vidro e sonhos.

Mas se um tango caliente convidar-me a dançar

Sairei ao teu encontro

Explorando transparências

Vidros estilhaçam

Flores acordam

Sonhos aguçam a imaginação

E um olhar noturno penetra a carne

A retina faz-se aguda e ilumina

O interior obscuro desse ser

De medidas exatas traçadas

Longilíneas retas no compasso da dança

Nos passos milimétricos

Que roçam as pernas

E o rubor na face outrora abandonada

Desperta a flor de carnencarnada

E o busto decerto alteia-se em fogo

Dos olhares geométricos

Nas bocas nuas desenhadas

Desvirginadas, disfarçadas de sonhos.

Um comentário:

  1. "flores de vidros e sonhos"...

    poesia é uma coisa simples, assim...

    beijo grande

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