Visitando, recentemente, o blog de um amigo meu, li uma postagem http://oocio.blogspot.com/2009/01/la-ursa-ou-de-como-sabe-se-morador-de.html#links que não só chamou minha atenção (como sempre tudo que ele escreve é inteligente, interessante, pertinente ou engraçado) como motivou-me a escrever essas linhas. Pois bem, é fato, e isso ninguém pode negar, que o Carnaval em Pernambuco é o mais animado do mundo (embora, a senhora, que ora vos escreve, prefere aproveitar esse feriadão na praia), desde o mega desfile do Galo da Madrugada, dos bonecos gigantes de Olinda, dos bailes de salão, das simples agremiações e blocos de rua que se estendem da capital ao interior, até os “bate-latas", grupo de garotos que se autodenominam La Ursa.
Todo mundo sabe ( ou pelo menos deveria saber) que o Carnaval tem suas raízes na Antiguidade: http://200.150.145.77/bin/paginas/686.php passando pela Grécia, Roma e Veneza, e difundindo-se aqui em terras tupiniquins, através dos portugueses. E de forma peculiar e acultural em Pernambuco, garantiu um espaço pra lá de democrático, pelo menos a La Ursa dos moleques (é aí que eu quero chegar). Essa manifestação carnavalesca, dizem ser de origem italiana desde o início do século XX e disseminada pelos povos ciganos, que saem as ruas cantando e dançando com o seu animal o Urso e seu domador, recolhendo generosas contribuições. Aqui no Nordeste, especificamente em Pernambuco, onde tudo se acomoda à cultura local, a “agremiação” ganhou até marchinha: “A La Ursa quer dinheiro/ quem não dá é pirangueiro...” E os garotos fazem a festa atrás do mascarado vestido de estopa e trapos, batendo latas (para eles é um instrumento de percussão) de porta em porta, recolhendo uns míseros trocados para comprar balas, digo, confeitos (pra não assustar). Até aí, tudo bem, mas o que não entra na minha cachola é ver essa brincadeira se tornando instrumento de exploração infantil.
Pasmem os leitores dessa humilde postagem, diante do que relatarei a seguir. Estive visitando a pouco mais de duas semanas, algumas praias do estado da Paraíba e Rio Grande do Norte, quando me deparei mais precisamente, nas avenidas movimentadas da praia de Tambaú, com uma cena no mínimo familiar (até certo ponto): ao pararmos no semáforo, um grupo de cinco guris, sentados no meio-fio, batiam em latas vazias de leite, latas de chocolate em pó, caixas de sorvete etc., produzindo um barulho infernal, enquanto um outro à “la ursa”, batia à porta de carro em carro pedindo uma contribuição pela exibição da “arte popular carnavalesca”(imagine se essa moda pega por aqui?). Tão popular que se tornou normal, crianças nos semáforos, exibindo a sua “arte“de pedinte, aliciadas cada vez mais cedo, e muitas vezes, pelos próprios pais. Aliás, como o povo antecipa cada vez mais as comemorações carnavalescas (o réveillon está sendo comemorado em ritmo de frevo), não se espantem, caros leitores, se durante o próximo Natal, num presépio desses por aí, encontrar um menino jesus caracterizado de La Ursa, estendendo-lhes a mão.
E em nome dessa cultura, vão empurrando de barriga vazia e batendo em latas vazias, amassando o seu destino, o seu futuro incerto...
Obrigado pela homenagem, poetisa, e gostei também do bairrismo pernambucano (somos massas, mesmo...), além da pesquisa histórica do tema.
ResponderExcluirA coisa da la ursa cada vez mais precoce, não sei se chegará ao Natal, mas os pastoris já são profanos o suficiente para precisarem de mais essa ciganada... rsrs
Eu também nunca entendi o porquê daquelas "meninas" (que se dizem "pastoras"), dançando e "cantando" em trajes mínimos mostrando a bunda, serem elementos alegóricos do Natal...
ResponderExcluirPS: se alguém souber, aí, me explique. Sou toda ouvidos...rs