sábado, 12 de dezembro de 2009

ACORRENTADO



Fui como uma folha ao vento

Levado pelo destino

Esbarrando a cara nos muros

De pedra na consciência

Resignado às mil faces da vida

Fingindo de mim mesmo e dos outros

Introspectivo e às vezes atrevido

Mas desenho as nuances do ser

Ou rabisco o ser selvagem

Impregnado de minha saudade

Ou então fujo por uma janela

Entreaberta da garganta e grito

Grito o silêncio dos loucos

Não era pra ser assim

Mas como sair dela sem ser notado?

Jamais quis ter notoriedade

Logo dela que é meu pudor

(Então me despe se fores capaz

Diz-me o momento certo de agir)

Nunca sei suas verdades

Se fingindo arranca-me os fantasmas

Abrem-se sulcos e lacunas

À noite visita o meu íntimo

Promete ver minhas virtudes

Mas continuo acorrentado em meu ser

De pedra na consciência

Espero à madrugada, o dia

O dia vem, mas a luz não é dela

Continuo esperando e rabiscando

E assim cada dia ela tira

um pedaço do meu coração.

Um comentário:

  1. Poema perfeito para esse meu domingo aziago e de caras esbarradas nos mais variados muros.

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