Não adianta radicalizar, esconder, porque num dado momento vem à tona. Quem sabe na festinha daquela amiga de faculdade metida a intelectualóide, a mais conservadora em seu repertório musical, encontrarmos camuflados dentro da capa do CD do Chico Buarque (ela jura que só curte MPB), preciosidades do tipo: "Companhia do Calipso"? (Não entendam os leitores, a citação como discriminação). E daí, a criatura paga um mico envenenado, tentando se justificar: "Ah, só pode ter sido a vizinha, pediu emprestado outro dia e devolveu trocado" ou "O Pedrinho (sempre ele) levou o Chico pro colégio pra ensaiar uma apresentação sobre Literatura Comparada, e acabou misturando os CDs" (e quem disse que não é possível encontrar elementos linguísticos ou culturais convergentes e divergentes entre ambos os segmentos?). Tenho um amigo, Mestre em Teoria da Literatura, que já analisou músicas da Kelly Kei.
Particularmente, defendo a segunda justificativa (ou desculpa) da moça, pelo fato de sugerir (embora sem intenção) uma excelente aula de Literatura, que tenho certeza, envolveria os alunos, pelo caráter inovador e a proximidade com a música do "momento" (é disso que eles gostam), e o Chico de carona...
Então... aproveitemos enquanto a música é democrática, mas assumamos os riscos...rs


