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Fiz esse blog com incentivo de um amigo meu das letras. A princípio era mais uma brincadeira de escrever, mas aos poucos fui tomando gosto, e hoje não consigo passar um dia sem "por os pés" aqui. Agradeço sinceramente os caros leitores que passarem por aqui. Fiquem à vontade para comentar, sugerir ou acompanhar esse democrático e rabugento espaço (como queiram).

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sábado, 17 de abril de 2010

ANNA AKHMÁTOVA (De "Sonho negro")


Mais um "altered poem" de Akhmátova. Aqui o original. Logo depois o poema alterado por mim. Me empolguei com a brincadeira...rs


DE "SONHO NEGRO"





És sempre insólito e misterioso

e eu, a cada dia, mais submissa.

Mas teu amor, ó meu amor tirano,

é uma provação a ferro e fogo.



Tu me proíbes de rir e de cantar

de rezar já me proibiste há muito tempo.

Desde que a nos separar nós não cheguemos,

pouco te importa o que me aconteça!




Assim, estrangeira ao céu e à terra,

eu vivo e já não canto mais.

É como se afastasses minha alma peregrina

tanto do inferno quanto do céu.




Por causa de teu amor enigmático

eu gemo como uma enferma.

Fui ficando amarelada e trêmula,

quase não consigo mais andar.




Não me venhas com novas canções,

que elas podem ser enganadoras;

mas arranha, arranha com mais força

este meu peito de tísica,




para que o sangue mais rápido espirre

de meu colo sobre a cama,

e a morte de meu coração arranque

para sempre esta maldita embriaguez.


Ele me disse que não tenho rival,

que para ele não sou uma mulher deste mundo,

e sim um sol de inverno que à terra tráz alegria,

Uma canção selvagem vinda da terra natal.

Quando eu morrer, ele não ficará triste,

não gritará, cheio de pavor: "Ressuscita!"

Mas, de repente, perceberá que é impossível viver

o corpo sem sol, a alma sem canções.


E daí?


[...]

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>



DE "SONHO NEGRO"


És misterioso


e eu submissa.


teu amor é a ferro e fogo.


De rir e de cantar me proibiste


Separar? Pouco te importa


estrangeira, não canto,


minha alma peregrina:


inferno, céu...


Por teu amor gemo


amarelada e trêmula


canções enganadoras.


Arranha meu peito


que o sangue espirre sobre a cama


e a morte arranque esta embriaguez.


Ele disse que não sou uma mulher


e sim um sol, uma canção.


Quando triste gritará:


_Ressuscita!?


É impossível viver sem sol, sem canções...