SEJAM BEM VINDOS!!

Fiz esse blog com incentivo de um amigo meu das letras. A princípio era mais uma brincadeira de escrever, mas aos poucos fui tomando gosto pela coisa, e hoje não consigo passar um dia sem "por os pés" aqui. Agradeço sinceramente os caros leitores que "pisarem" por aqui, também. Fiquem à vontade para comentar, sugerir, descer o cacete...rs, ou mesmo se tornar um "seguidor" desse democrático ou rabugento espaço (como queiram).

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terça-feira, 31 de março de 2009

LEITURAS QUE MARCAM


Recentemente visitando uma livraria na cidade de Recife, me deparei com um livro que reportou-me ao passado, a minha adolescência (não muito distante, rs). E que por algumas horas, ali mesmo, sentada no chão no rodapé da escada, estive "viajando"...Quando voltei, fiquei ruminando por um bom tempo, cá com meus botões cerebrais (Tico e Teco): como é possível alguém deixar os anos passarem silenciosos e dementes sem a companhia de uma boa leitura diária?

Tudo bem que vivemos num país onde a oferta do livro é incompatível com o poder aquisitivo da maioria da população; as estratégias de incentivo à leitura nas escolas deixam a desejar; a formação acadêmica de muitos professores não oferece a qualificação para tal, como também muitos pais se omitem dessa responsabilidade. Mas não pensem os senhores, que com isso estou fazendo apologia justificativa.

Quero, obviamente, deixar registrado aqui um exemplo (para os poucos que transitam por esse humilde espaço), como é possível transpor todas essas barreiras quando somos apaixonados pela leitura. Pois bem, sou de origem humilde, confesso, e meus pais nunca tiveram condições financeiras pelo menos até os meus 15 anos de idade, de comprar um livro sequer, nem que fosse um gibi (era o meu sonho). Pegava emprestado dos colegas, trocava por lanches, mas a leitura era garantida. Lembro-me bem, em meados dos anos 78 pra 80, já cursando o Fundamental II (não calculem minha idade, por favor), o governo do estado inaugurou uma escola bem próxima à minha casa. Fiz a festa! A biblioteca era um espetáculo, enchia os meus olhos, dava água na boca. Recheada de títulos para todos os gostos. Uma delícia! Devorei-os quase todos. Como na época estudava em outra escola pela manhã, contava os minutos pra aula terminar e voltar para casa rapidinho, almoçar e tocar pra biblioteca. E assim viajar no fantástico mundo das palavras o resto do dia.

Cuidando em não fugir do assunto inicial, a obra citada na qual viajei foi "Pollyanna", da escritora Eleanor H. Porter, um clássico da literatura infanto-juvenil. Fora um dos livros recomendado pelo professor de Língua Portuguesa, os famosos paradidáticos que hoje chamam livros de apoio (alguns servem mesmo é de apoio para os estudantes repousarem a cabeça enquanto dormem na sala de aula), mas que marcou a minha vida. Uma história surpreendente recheada de lições de amor, amizade, solidariedade e superação. Recomendo.

Naquele mesmo dia, na livraria, pude ler uma matéria excelente na Revista Cultura "Pra gostar de ler...na escola", de Denise Mirás (março de 2009). A autora trata do assunto com muita propriedade, inclusive, apontando dicas, sugestões e estratégias de como formar leitores diante de situações tão adversas em nosso país. Recomendo também.





sexta-feira, 27 de março de 2009

JEJUM


Águas perenes, mornas sobre a superfície

Meu verso reclama o teu silêncio

Rio de palavra, quebra o meu jejum!



Há tanto tempo te cortejo

Na madrugada batestes a minha porta

Inevitavelmente me ausentei

Os sonhos afogaram-me.



Mesmo assim, descestes sobre a minha pele

Escorrestes pelos meus dedos

E acordei.

Agora bebo o teu desejo

(o meu desejo)

Aprisionado em minha cama. (SELMA, 2007)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Hiperbólico


A língua que falara mil palavras cálidas

Num minuto a sintaxe emudecera

Porque o tempo qual um furacão

Arrebatara o discurso mais-que-perfeito


Mas os rabiscos (ainda frescos)

Continuam lá

Como a fuzilar

A conjugar o seu passado


Num mar de pedras

Um depósito de verbos transitivos:

Eu morreria por você

Assistiria a minha morte


Palavra navalha a cortar-lhe a alma

E a folha virgem

(Em silêncio)

Ainda espera... (Céu & Mar)

quinta-feira, 12 de março de 2009

HAIKAI (cont.)


VI - As aves derradeiras
e o silêncio
A caminho do mar.


VII - Forte e ágil
Águia absoluta dos céus:
Domínio e aventura.

VIII - Nos antigos mares pousou
Gelo de tempos idos
O vidro no olhar borboleta.

IX - Contornos breves de um raio de sol
E a solidão clara do silêncio:
Noite finda à beira-mar.

X - O fogo lhe feriu a alma
Mas das cinzas, o broto
Fênix das florestas.

XI - AMORTEMINHA MARAVILHA
MEU MAR MEDITOERRANDO
MARAMOR MARENEOLOGISMO

terça-feira, 10 de março de 2009

HAIKAI




I - SENTI O CHEIRO DA TERRA
E A CHUVA NA RETINA

DESCOBRI A ALMA DA ÁRVORE.


II - O BROTO GERMINA
NO CORAÇÃO DO POETA

SEU REBENTO-FRUTO.


III - AS RAÍZES PENETRAM
FUNDEM A TERRA
RASGAM SUAS ENTRANHAS.


IV- NO REGAÇO NASCEU UMA VIOLETA
A NINFA BORBOLETA
NARCISA NO ESPELHO D'ÁGUA.



V - ESSE ALMAÇO MINERAL

FRUTO DE UM VENTRE ARBÓREO
ABORTA A MINHA VERVE.
(Selma, 2009)

terça-feira, 3 de março de 2009

Versos úmidos de música






Do Céu provêm à água que toca os corpos

Que mata a sede
Umedece-os de silêncio e prazer
E o Mar narra gotas úmidas de música
Enquanto o verde- turquesa dos teus olhos

Desce sobre a pele
Penetra a alma lânguida e acende-a
E os versos acordam

Explodem canções tingidas de azul-marinho

No dedilhar suave dos acordes. (Selma, 2009)

segunda-feira, 2 de março de 2009

MENINA AURORA


Debruçada sobre a janela

Esperando o tempo acordar

Fiquei assim

Até ver a Aurora chegar

Perdida no olhar matinal

De criança a brincar e dançar


Chutando pedrinhas no caminho

Doce, meiga me encantou

Despertou-me

Bailando flutuando

As sapatilhas conduzem

Leveza e candura


Menina!

O vento é teu amigo

Faz festa em teus cabelos

Beija o teu sorriso

Flutua, rodopia

É a música no ar


Sobe ao topo da colina

Ali abraças a natureza

O vento é teu amigo

O poeta- cantor de tua infância

Ali danço sonhos de criança

De uma angelical Aurora. (Selma, 2007)