
Pelos ângulos sombrios dessa cerne
Tateando, percorro cada canto.
Com esmero de criança adulta
Planto flores de vidro e sonhos.
Mas se um tango caliente convidar-me a dançar
Sairei ao teu encontro
Explorando transparências
Vidros estilhaçam
Flores acordam
Sonhos aguçam a imaginação
E um olhar noturno penetra a carne
A retina faz-se aguda e ilumina
O interior obscuro desse ser
De medidas exatas traçadas
Longilíneas retas no compasso da dança
Nos passos milimétricos
Que roçam as pernas
E o rubor na face outrora abandonada
Desperta a flor de carnencarnada
E o busto decerto alteia-se em fogo
Dos olhares geométricos
Nas bocas nuas desenhadas
Desvirginadas, disfarçadas de sonhos.
Um comentário:
"flores de vidros e sonhos"...
poesia é uma coisa simples, assim...
beijo grande
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