SEJAM BEM VINDOS!!

Fiz esse blog com incentivo de um amigo meu das letras. A princípio era mais uma brincadeira de escrever, mas aos poucos fui tomando gosto pela coisa, e hoje não consigo passar um dia sem "por os pés" aqui. Agradeço sinceramente os caros leitores que "pisarem" por aqui, também. Fiquem à vontade para comentar, sugerir, descer o cacete...rs, ou mesmo se tornar um "seguidor" desse democrático ou rabugento espaço (como queiram).

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sábado, 19 de setembro de 2009

"SALVEM" O CINEMA BRASILEIRO!

Salve Geral, escolhido para representar o Brasil na disputa pela estatueta do Oscar 2010.


Cena do filme Salve Geral, protagonizado por Andréa Beltrão

Não sou crítica de Arte, muito menos versada em Cinema, mas há muito estava querendo meter o bedelho nessa área. Questão de opinião mesmo. Sei que não vai fazer diferença, mas sou cidadã e pago meus impostos, portanto, tenho o direito à liberdade de expressão.

Vendo recentemente o trailler de Salve Geral de Sérgio Rezende, e ainda mais sendo indicado ao Oscar, pensei: qualquer dia desses eu pico a mula em retirada pra um lugar longínquo, embrenho-me pela mata, vou até o pico de um monte mais alto e lá vou viver como eremita. A razão? Explico: poupar os meus tímpanos e minha cansada visão dessa gente que se diz escritor e cineasta, mas não enxerga nada mais que VIOLÊNCIA, TRÁFICO, POBREZA e PROSTITUIÇÃO para levar à telona. Será que a sétima arte no Brasil está fadada a essas temáticas?

Já ficou provado em outras indicações, que nem em Cannes, muito menos em Hollywood, temos chance de trazer uma estatueta sequer, retratando o verossímil. O romance na literatura, por mais "real" que seja (a exemplo de Rubem Fonseca), não rende como deveria, tanto quanto a obra nua e crua nas telas. Ora, se é pra ver desgraça, violência e pobreza, precisa ir ao cinema? Estão estampadas todos os dias, ao vivo e a cores nas ruas, nos jornais, nos telejornais, enfim, não vê quem não quer (digo, na maioria das vezes somos obrigados). Eu, particularmente, detesto. Não gasto o meu precioso tempo de lazer vendo um filme brasileiro (nem internacional), dessa natureza.

O cinema brasileiro avançou um pouco no que diz respeito a modernização e a qualidade, fruto de investimento do governo atendendo as reivindicações dos artistas, mas precisa mudar a temática pra ganhar projeção internacional. Pra isso temos aqui recursos suficientes, como por exemplo: as lindas praias do nordeste, a fauna e a flora amazônica, a cultura, a arte esculpida em sítios arqueológicos; a luta de nossa gente por educação e trabalho, enfim, são temáticas que renderiam uma boa prosa na pena de um bom escritor, e posteriormente levada ao cinema.

Fico por aqui, pensando em minhas leseiras e chego a conclusão que, a exemplo de outros filmes como Ônibus 174, Tropa de Elite (arrecadação recorde de bilheteria), Salve Geral será mais um nessa lista. E o público vai fomentar mais um enredo "baseado em fatos reais", fazendo apologia ao crime e a violência. Enquanto isso: "O OSCAR VAI PARA..."



terça-feira, 15 de setembro de 2009

MÃOS





MÃOS QUE ACARICIAM
QUE APLAUDEM
QUE GESTICULAM
QUE FALAM
QUE ESCREVEM
QUE REGEM COM MAESTRIA
A ORQUESTRA DA PALAVRA
E FAZEM DO LÁPIS
A BATUTA SINGULAR
E SEGUEM UNIDAS: PALAVR(A)MOR
A(MÃO)DO...
AS MÃOS DO POETA.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

LITERATURA COMPARADA

Manoel de Barros



A ESSÊNCIA DA PALAVRA EM FERNANDO PESSOA (ALBERTO CAEIRO) E MANOEL DE BARROS


Ao longo da história da literatura, muito tem se especulado a respeito da imagem poética, entre o sujeito – escritor e o objeto no mundo real, como parte da essência da arte.


A busca pela essência da palavra em O guardador de rebanhos, de Alberto Caeiro, é intencionalmente concebível, por incitar a consciência do leitor a um mundo de completudes. Em sua imanência, a palavra tem caráter vivo, presença material no mundo empírico , e como tal, estabelece uma relação de significado com o indicativo metafórico, ou seja, a imagem poética.


Esse fenômeno implícito no inconsciente, é que dá sentido ao objeto, possibilitando o leitor estabelecer um conceito carregado de significado, de forma sensível e transcendental. Por meio da imagem poética, a palavra ganha vida.


O ser poético reproduz o mundo empírico desfigurando-o, abre caminho onde não há caminho, não importa a etimologia da palavra, constitui-se arbitrariamente. Como tão bem se expressou Manoel de Barros ao ser indagado sobre a matéria da poesia: “Todas as palavras. Lata, pedra, rosa, sapato, nuvem – podem ser matéria de poesia. Só que as palavras assim em estado de dicionário, não trazem a poesia ou a anti-poesia nelas inerentes. O envolvimento emocional do poeta com essas palavras e o tratamento artístico que lhes consiga dar, - isso que poderá fazer delas matéria de poesia. Ou não fazer.” (BARROS, 1966). Mais adiante, em Gramática Expositiva do Chão, ele cita Spitzer concordando que todo desvio nas normas da linguagem produz poesia.

É o sentido imanente da palavra que escamoteia e abre caminhos, irrompendo o seu curso natural:


Teve a semente que atravessar panos podres, criames/ de insetos

couros, gravetos, pedras, ossarias de peixes./ cacos de vidro, etc

antes de irromper...(BARROS, 1998.p. 11)


Percebemos a relação de identidade que há no excerto acima , no qual a imagem poética é fator primordial para apreensão da dicotomia coisa / palavra. È um descobrimento, um surgir , uma semente que brota num canteiro de palavras “virgens” num fabrico de semântica. Daí a razão da palavra sobreviver em Manoel de Barros e Fernando Pessoa , como o barro que na mão do oleiro vai sendo moldado a seu gosto, até ganhar forma .


Certa vez em entrevista a José Otávio Guizzo, MB é indagado se acredita na falência das palavras como forma de expressão, ao qual responde: “Enquanto o mundo parir uns tipos hipobúlicos feito, por exemplo, Fernando Pessoa, resguardados pela timidez e incapazes de uma ação – as palavras não morrerão. Essas criaturas não têm outra forma de ação senão em cima das palavras. Obsessiva e sadicamente as trabalha, dobrando-as até seus pés, arrastando-as no caco de vidro, até que elas sejam eles mesmos”. Ambos buscam nas coisas mais corriqueiras do mundo empírico, matéria para a sua poesia. Isenta de rebuscamentos , a palavra torna realidade por meio da imagem poética, o objeto em sua essência, estimulando a sensação e a percepção do estar no mundo e se apropriar de sua aparição, mesmo sendo para o leitor mais exigente, desconcertantes ou desconcertadas.


Segundo MASSAUD MOISÉS (1966), os princípios do Sensacionismo, em Alberto Caeiro, consistem no seguinte: 1. Todo objeto é uma sensação nossa. 2. Toda a arte é a conversão duma sensação em objeto. 3. Portanto, toda a arte é uma conversão duma sensação numa outra sensação. A fusão do real e o irreal, entre o concreto e o abstrato, assinalam a intersecção de dois planos constituídos de sensações mescladas:


O que nós vemos das cousas são as cousas.

Por que veríamos nós uma cousa se houvesse

Outra?

Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos

Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,

Saber ver sem estar a pensar,

Saber ver quando se vê

Nem vê quando se pensa (CAEIRO, 1992, p. 217).


Consideremos os verbos “ver” e “ouvir” no poema acima, concebendo lugar de destaque sob viés psicológico – naturalista, ou seja a ânsia do poeta de abolir o “pensar” e limitar-se simplesmente a ver e ouvir: concepção realista das coisas, do objeto e seu significado:


Deste modo ou daquele modo

Conforme calha ou não calha,

Podendo às vezes dizer o que penso,

E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,

Vou escrevendo os meus versos sem querer,

Como se escrever não fosse uma coisa feita de

Gestos,

Como se escrever fosse uma coisa que me

Acontecesse

Como dar-me o sol de fora.


O excerto acima, constitui o texto XLVI de O Guardador de Rebanhos. O início do poema transporta o leitor a indagação: de que se trata? A pluralidade do termo “como” introduz nele essa pergunta. Mas o quinto verso responde: a própria ação de escrever.

No quinto verso, lemos: “Vou escrevendo os meus versos sem querer”, Caeiro não usa o termo poema, prefere falar de versos. Porque para este conjectural poeta, a unidade de sentido está no verso ou no agrupamento de versos e não no poema. Nessa realidade, destrói-se o que seria entidade poema como unidade semântica e estrutural.


O próprio ato de escrever denota um “à vontade”. Percebemos isso no final do quinto verso: “sem querer”, ou seja, o que fora temporalidade e duração ressurgem agora como realidade de um episódio como indicação. Contudo ao dizer “querendo”, Alberto Caeiro, naturalmente vem contrariar o sem “querer” da primeira estrofe, explicitando um ato involuntário, exteriorizado. Porém já vimos que esse fenômeno inicial fora posto em questão nas estrofes posteriores. De qualquer forma, nesse caso, não se deve ler o uso do verbo “querer” em dois pólos diferentes do texto como uma contradição.Admite-se sim, coerência no texto caeiriano, uma vez que sabe-se o paradoxo é a forma mais privilegiada de Fernando Pessoa.


PS: O texto está incompleto. Quando tiver outra folguinha volto para dar continuação.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

UM POEMA À LUZ




Triste passagem pelo fosso das sátiras

Dos becos sem saídas que alardeiam risos sem bocas

De prisma sem luz incandescente, sem cor

Do poço solidão que grita e não se ouve o eco

Gargalhadas, gracejos, sombras,

suor e sangue velam o silêncio

Inconsciente atira-se sobre o próprio corpo

Já não era ele...

A mente aviltada pelas vísceras proeminentes do inteligível

Fomenta os dias de mito da caverna escura

Mas sob as palavras póstumas deitadas na parede áspera

Cansada das lamentações e dos grilhões

Afia um raio (ainda que fosco)

pela fresta do coração e grita um poema à luz:

Decide libertar-se das amarras.