SEJAM BEM VINDOS!!

Fiz esse blog com incentivo de um amigo meu das letras. A princípio era mais uma brincadeira de escrever, mas aos poucos fui tomando gosto, e hoje não consigo passar um dia sem "por os pés" aqui. Agradeço sinceramente os caros leitores que passarem por aqui. Fiquem à vontade para comentar, sugerir ou acompanhar esse democrático e rabugento espaço (como queiram).

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Olha quem acompanha esse blog:

quarta-feira, 7 de abril de 2010

UM POEMA ESTAGNADO


UM RIO QUE NÃO CORRE PRO MAR
UMA AVE DE ASA CORTADA
UM VOO DE BEIJA-FLOR
UM GRITO PRESO NA GARGANTA
UMA MÚSICA EM STAND BY
UM ABORTO INESPERADO
UM FILHO QUE O MAR LEVOU
UMA ÁRVORE DE BONSAI
UM SONHO ACORDADO
UM COITO INTERROMPIDO
UMA PÍLULA DO DIA SEGUINTE
UM PASSAGEIRO QUE PERDEU O VOO
UM CARRO NA CONTRAMÃO
UM SOL QUE NÃO SE PÔS
UM HORIZONTE PERDIDO
UM BUSTO DE SCHUBERT
UMA "SINFONIA INCOMPLETA"
UMA GOTA DE ÁGUA SÓLIDA
UM POÇO DE ÁGUA PARADA
UM COÁGULO NA ARTÉRIA
UMA PARALISIA VERBAL
.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

"A NOITE" (Paul Éluard)

"Nos mais belos versos de Éluard deita o pôr-do-sol escarlate principiando a noite branca." (Selma, 2010)


A NOITE


Acaricia o horizonte da noite, busca o coração de azeviche que a aurora recobre de carne. Ele te porá nos olhos pensamentos inocentes, chamas, asas e verduras que o sol ainda não inventou. Não é a noite que te falta, mas o seu poder.

quarta-feira, 31 de março de 2010

VEM DANÇAR

Trechinho do filme "Vem dançar", com o gatéssimo (na época) Antonio Banderas. Uma lição de tango pra deixar qualquer neguinho de queixo caído. Confira!

quinta-feira, 25 de março de 2010

SCARLATTO


Giaceva sulla riva del fiume per vedere voi
Nel tardo autunno e cielo scarlatto

La musica dei gabbiani in flyby

Di pesca lungo la strada che scende in Rapids

Le danze del tramonto sulle nuvole quasi nulla

Un'avventura-zucchero filato gusto

Tra suoni e colori brillano gli occhi

Ma si lamentano che il partito avrebbe

Se non morire dietro le colline

Con un bordo tagliente lama del seno.

domingo, 21 de março de 2010

CACOS DE VID(A)RO ADORMECIDOS - II


Os primeiros raios de sol batem na janela ofuscando a retina
Confundindo a memória de vidro
Vestígio de febre noturna no cristalino dos olhos
Que nada cristaliza
O peso da culpa é maior que a do corpo
Mas sem descer um degrau da arrogância
Anda pelo quarto como se ainda fosse seu
E assovia pela fresta uma senha conhecida da amada
A cura vem do próprio veneno
Anda a benzer o ar e abraçar o mar
Vai até aonde a vista alcança
E ali mergulha e sonha...
Só um fetiche ou um raio de sol o tirará daquela inércia
O orgulho corrói a vida por dentro.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O POETA E SUA AMANTE


QUAL UMA GESTAÇÃO DE MESES

ESCONDIDA NA VERVE NAS VEIAS

AS LINHAS, OS VERSOS, UM CORDEL, UM CORDÃO

O SANGUE LATENTE UMBILICAL

UNIU O POETA E SUA AMANTE

E DE UMA RELAÇÃO DE AMOR UM SOPRO DE VIDA

VEIO À LUZ A PALAVRA EM FORMA DE POEMA.


sexta-feira, 12 de março de 2010

CACOS DE VID(A)RO ADORMECIDOS - l


Pelo quarto uma luz de vidro agride a retina


Reflexos distorcidos do passado


Uma sombra desvia o olhar cabisbaixo


Sob as pálpebras o sono desce enquanto o sol fecha as cortinas


E o vento sussurra pela boca da noite uma brisa leve na janela


Tênue e sombrio o vulto abre os portões do cárcere frio


Antes cerrados convivendo com o silêncio duro de pedra


É o tempo que não para de juntar cacos de vid(a)ro adormecidos.